RESOLUÇÃO Nº 1.645
DE 6 DE OUTUBRO DE 1989.


O BANCO CENTRAL DO BRASIL, na forma do artigo 9º da Lei nº 4.595, de 31.12.64, torna público que o Presidente do CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL, por ato de 06.10.89, com base no artigo 2º do Decreto nº 94.303, de 01.05.87, “ad referendum” daquele Conselho, tendo em vista o disposto no artigo 2º do Decreto-lei nº 2.286, de 23.07.86,

RESOLVEU:

I  -  As bolsas de mercadoria e de futuros deverão prever, em suas normas operacionais, dispositivos que possibilitem prevenir ou corrigir situações anormais de mercado que possam configurar infrações a normas legais ou regulamentares, ou que consubstanciem práticas não eqüitativas, modalidades de fraude ou manipulação.

II -  Competirá às bolsas de mercadorias e de futuros, quando detectada qualquer das ocorrências previstas no item anterior, adotar providências que restabeleçam o regular funcionamento do mercado respectivo, devendo o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários – essa última quando o objeto de ocorrência estiver referenciado em qualquer dos valores mobiliários sujeitos ao regime da Lei nº 6.385, de 07.12.76 – ser imediatamente cientificados das irregularidades verificadas e das medidas corretivas empreendidas.

III -  Com vistas ao atingimento de seus objetivos, deverão as bolsas de mercadorias e de futuros promover a fiscalização direta e ampla de seus associados, podendo, para tanto, examinar livros e registros de contabilidade e outros papéis ou documentos ligados às atividades desses, mantendo à disposição do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários os relatórios de inspeção elaborados por seus fiscais ou auditores.

IV -  As bolsas de mercadorias e de futuros deverão, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da entrada em vigor desta Resolução, encaminhar ao Banco Central, juntamente com o estatuto social, seu regulamento e demais normas operacionais, assim como comunicar, de imediato, eventuais alterações introduzidas nesses documentos. As normas operacionais relacionadas com valores mobiliários sujeitos ao regime da Lei nº 6.385, de 07.12.76, e alterações respectivas, deverão ser encaminhadas à Comissão de Valores Mobiliários, observados os mesmos prazos de que trata este item.

V  -  Independentemente do disposto nos itens III da Resolução nº 1.190, de 17.09.86, e II desta Resolução, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários, no âmbito de suas respectivas competências, poderão:

suspender a execução de normas adotadas pelas bolsas de mercadorias e de futuros, julgadas inadequadas ao seu regular funcionamento, e determinar a adoção daquelas que considere necessárias;

sustar a aplicação de decisões das bolsas de mercadorias e de futuros, no todo ou em parte;

decretar o recesso de bolsas de mercadorias e de futuros, com o fim de prevenir ou corrigir situações anormais de mercado, definidas na regulamentação vigente;

adotar outras medidas que entender necessárias ao bom funcionamento do mercado.

VI -  Determinar que o exercício social das bolsas de mercadorias e de futuros deve coincidir com o ano civil, sendo obrigatória a elaboração de balancetes mensais e demonstrações financeiras, essas em 31 de dezembro de cada ano, compreendendo o balanço patrimonial, a demonstração das mutações do patrimônio líquido, a demonstração do resultado do exercício e a demonstração das origens e aplicações de recursos, e respectivas notas explicativas, observado o seguinte:

as demonstrações financeiras deverão ser certificadas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários;

o auditor independente, com base no exame dos livros, documentos e registros contábeis, apresentará à bolsa auditada:

parecer de auditoria relativamente à posição financeira e ao resultado do exercício;

relatório circunstanciado de suas observações relativamente às deficiências ou à ineficácia dos controles contábeis internos exercidos; e

relatório circunstanciado a respeito do descumprimento de normas legais e regulamentares;

os balancetes, as demonstrações financeiras e os relatórios e pareceres dos auditores independentes deverão ser encaminhados ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários nos prazos de 15 (quinze) dias após o encerramento de cada mês, de 25 (vinte e cinco) dias e de 90 (noventa) dias após o encerramento de cada período, respectivamente.

VII – Ficam as bolsas de mercadorias e de futuros e seus associados obrigados a prestar as informações, inclusive aquelas de caráter sigiloso, necessárias ao controle e acompanhamento dos mercados por elas administrados, requeridas pelo Banco Central, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas entidades autorizadas em lei a ter acesso a essas informações.

VIII – O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, cada qual dentro de sua esfera de competência, poderão baixar as normas e adotar as medidas que se fizerem necessárias à execução do disposto nesta Resolução.

IX – Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação.

WADICO WALDIR BUCCHI

Presidente Interino